Chinavia vanduzeei sp. nov.

(Figs. 6, 19-21, 31-33, 40, 41, 47, 50)

Diagnose. Coloração geral do corpo verde-oliva; ápice da cabeça, margens do corpo, ápice do escutelo e bordo posterior dos hemiélitros de coloração creme. Manchados de negro: antenas, rostro, tíbias e tarsos. Membrana dos hemiélitros enfuscada. Opadrão de coloração desta espécie é único dentro do gênero.

Medidas. Comprimento médio /: 11,78/13,33; largura abdominal 6,73/7,49. Demais parâmetros morfométricos, Tab. I.

Coloração. Face dorsal verde-clara a verde-oliva. De coloração creme: metade apical do clípeo e das jugas, uma ampla faixa junto às margens laterais do pronoto, margem lateral e posterior do cório, ápice do escutelo e conexivo (Fig. 6). Manchados de negro: ápice do clípeo, antenas, segmentos II-IV do rostro, tarsos, tíbias e ápice dos fêmures. Nestes, a mancha negra pode se estender em direção proximal em 1+1 faixas laterais. Pontuação, quando presente, castanho-avermelhada. Mancha negra entre o olho e a base da antena ausente. Cicatrizes do pronoto e ângulos basais do escutelo imaculados. Coxas e trocanteres de coloração creme. Membrana dos hemiélitros enfuscada. Conexivo imaculado; ponto negro no ápice dos ângulos póstero-laterais dos urosternitos inconspícuo. Face ventral creme a verde-clara, com pontuações concolores; em alguns exemplares, parte da pontuação ventral do tórax castanho-avermelhada. Espiráculos creme a castanho-claros, translúcidos.

Cabeça. Pontuações mais rasas que as do restante do corpo. Jugas com alguns pontos parcialmente fusionados, formando sulcos transversais rasos. Jugas com superfície do disco irregular; margens fortemente côncavas adiante dos olhos, convexas e convergentes posteriormente, ápice da cabeça arredondado. Clípeo e jugas fracamente decliventes no ápice. Proporção dos artículos antenais: I<II<III<IV V (Tab. I). Rostro com comprimento variável, atingindo desde as metacoxas até o meio do terceiro urosternito. Proporçãodos segmentos do rostro: I<II III>IV; I<IV (Tab. I).

Tórax. Margens ântero-laterais do pronoto subretilíneas e emarginadas; ângulos umerais arredondados a subtruncados. Pontuações das margens ântero-laterais do pronoto, ápice do escutelo e hemiélitros pouco mais rasas ou ausentes. Â ngulo costal do cório subtruncado, atingindo o meio do VI segmento do conexivo; sutura da membrana sinuosa. Peritrema ostiolar estendendo-sealém de 3/4 da largura metapleura.

Abdome. Convexo ventralmente. Conexivo sem pontuações, comos hemiélitros cobrindomais da metade da sua largura. Espinho abdominal insconspícuo, formando um tubérculo que não atinge as metacoxas.

Genitália do macho. Pigóforo subquadrangular; ângulos póstero-laterais afilados, projetados posteriormente, com ápices convergentes dotados de leve crenulação (Fig. 19). Taça genital pouco escavada, mais rasa nos ângulos póstero-laterais. Projeção mediana do bordo dorsal convexa no ápice, terços laterais do bordo dorsal não projetados sobre a taça genital, com 1+1 projeções espiniformes no ápice, em aposição ao dente da margem lateral externa da aba do bordo ventral. Margens laterais côncavas junto aos ângulos pósterolaterais. Abasdo bordo ventral moderadamente dobradas sobre ataça genital; superfície das abas côncava, margem lateral externafortemente defletida, retilínea, com um dente curvo dirigidoântero-lateralmente (Figs. 19, 21); margens laterais internas sinuosas, formando um “ U” aberto quando vistas posteriormente (Fig. 21). Recorte mediano do bordo ventral amplo (Fig. 20). Depressão do bordo ventral rasa, com carena inconspícua. Segmento X subquadrangular, com escavação moderada na metade basal; carenaem semicírculo (Fig. 19, 21). Parâmeros com base e corpo subiguais em comprimento e altura (Fig. 31). Processo da base dos parâmeros curvo em direção anterior; corpo com uma convexidade junto ao ângulo basal, faceinterna levemente côncava, ápice rombo (Figs. 31- 33). Phalloteca com superfície ventral côncava e abertura póstero-ventral (Fig. 41). Vésica levemente curvada em direção ventral; diâmetro subigual ao do ductus seminis proximalis; processos curvos em direção ventral, ápices divergentes (Figs. 40, 41).

Genitália da fêmea. Sinuosidade do bordoposterior do segmento VII inconspícua sobre os ângulos basais dos laterotergitos 8 (Fig. 47). Gonocoxitos 8: superfície plana, ângulos suturais emarginados, bordos suturais justapostos medianamente, bordos posteriores sinuosos e ângulos póstero-laterais desenvolvidos, fortemente convexos. Gonapófises 8 ultrapassando os gonocoxitos 8. Laterotergitos 9 com ápices arredondados, margens internas divergentes, superfície levemente côncava. Bordo posterior dos gonocoxitos 9 côncavo; espinho do bordo posterior das gonapófises 9 bem desenvolvido, ultrapassando o meio dos gonocoxitos 9, parcialmente encoberto pelas gonapófises 8 (Fig. 47). Porção posterior do espessamento da íntima vaginal pouco esclerotizada. Ductus receptaculi na região anterior à área vesicular menos de uma vez e meia o comprimento do ductus receptaculi posterior à mesma área, ambos mais curtos que a área vesicular (Fig. 50). Pars intermedialis levemente cônica, alargada no ápice, pouco maior em comprimento que a capsula seminalis e com metade da largura desta. Crista anular anterior de diâmetro menor que a crista anular posterior, levemente direcionada para a área vesicular; crista anular posterior voltada para pars intermedialis. Processos da capsula seminalis com o dobro do comprimento da pars intermedialis (Fig. 50).

Material tipo. Holótipo, BRASIL, Pará: Rio Xingu Camp, 52°22’ W- 3°39’ S, cerca de 60 km sul de Altamira, 8- 12.X.1986, P. Spangler & O. Flint col. (NMNH). Parátipos:, PERU, Madre de Dios: Rio Tambopata Reserve, 30 air km SW of Puerto Maldonado, 290m, 1-26.XI.1982, E. S. Rosa col. (CAS) ;, BRASIL, Amazonas: Rio Japurá, 23.VIII.1979, L. Pantaleão (INPA) ;, Ayrão, 10.II.1930, S. M. Klages col., J. C. Lutz collection (NMNH) ;, Rio Solimões ( Igarapé Belém), 7- 30.IV.1966, Malkin col .;, Nova Olinda, Rio Purus, V.1922, S. M. Klages col., Carng. Mus. Acc. 6962, Nezara femorata Van Duzee, Paratype, Unpublished manuscript name (CAS) ;, Pará: Fordlândia, EPA, 02.XI.1970 (DAR) ;, Parque Nacional de Uruá, 65 km oeste de Itaituba, 9-12.X.1977, B. Ratcliffe col. (DAR) ;, Itaituba, 16.X.1977, B. Ratcliffe col. (DZRS) ;, Maranhão: Buriticupu, 30.IX.1978, mata de terra firme, isca iluminada, captura noturna (DZRS) .

Etimologia. Nome em homenagem a Edward P. Van Duzee, entomólogo norte-americano, pela sua contribuição ao conhecimento dos pentatomídeos.

Distribuição. Peru (Madre de Dios) e Brasil (Amazonas, Pará, Maranhão).