Edessa marginalis (Dallas, 1851) revalidada

(Figs. 17-20)

Aceratodes marginalis DALLAS, 1851:335; WALKER, 1867:453. Edessa (Aceratodes) marginalis; STÅL, 1872:57.

Diagnose. Rostro com o primeiro segmento tão longo quanto as búculas; mesosterno sem carena mediana e com uma protuberância entre as coxas anteriores; superfície ventral do abdome apresentando pontuação igual a do resto do corpo e ausente na faixa longitudinal mediana; cabeça do parâmero com projeção anterior alongada como em E. rufomarginata; projeção posterior ausente; face externa da cabeça do parâmero sem concavidades e com uma esculturação helicoidal; processo da taça genital em forma de bastão, com a face superior escavada; décimo segmento com margem posterior não projetada, sem sulco, glabra; face posterior truncada, rugosa e com leve carena; gonocoxitos 8 decliventes, como bordo posterior emarco semifechado, sem recorte.

Descrição. Comprimento 14,9-16,6 mm; largura 8,2- 9,6 mm, corpo ovalado. Coloração geral da face dorsal verde; margens das jugas, margens ântero-laterais do pronoto, terço anterior do cório e conexivo amareloclaros; pontuação fina freqüentemente escura. Ângulos umerais não desenvolvidos. Face ventral e pernas castanho-alaranjadas; antenas castanho-claras. Face ventral com estrias descoloridas apenas posteriormente aos espiráculos.

Cabeça mais larga que longa. Jugas mais longas que o clípeo, com pequenos sulcos transversais e sem pontuação, arredondadas e curvadas ventralmente no ápice. Tubérculos anteníferos com dente inconspícuo; antenômeros em ordem crescente de comprimento do primeiro ao quarto; quarto e quinto subiguais. Rostro atingindo a primeira bifurcação do processo do metasterno, com o primeiro segmento tão longo quanto as búculas. Búculas paralelas e largas. Pronoto declivente, brilhante, com os ângulos ântero-laterais armados com pequeno dente. Margem ântero-lateral reta, íntegra e não emarginada. Cicatrizes do pronoto subcalosas e não pontuadas. Pontuação da superfície ventral do pronoto igual a da superfície dorsal. Escutelo brilhante, com ápice levemente acuminado. Cório fosco, com pontuação igual a do resto do corpo e veias sem diferença de coloração. Membrana do hemiélitro castanho-escura a negra brilhante, sem reflexo metálico. Mesosterno sem carena mediana, comuma protuberância entre as coxas anteriores. Processo metasternal mais longo que largo, achatado, liso e glabro, apresentando a bifurcação anterior divergente e com os ápices evanescentes. Bifurcação anterior do processo metasternal atingindo o terço posterior do mesosterno e acomodando parcialmente o quarto segmento do rostro. Área evaporatória rugosa, fosca, da mesma cor que a face ventral; peritrema ostiolar atingindo 4/5 da largura da metapleura. Conexivo exposto, com a pontuação clara igual a do resto da superfície dorsal. Ângulos pósterolaterais do conexivo e ângulos posteriores do sétimo segmento pouco desenvolvidos. Face dorsal do abdome castanho-escura. Superfície ventral com pontuação igual a do resto do corpo e ausente na faixa longitudinal mediana. Espiráculos elípticos e tricobótrios na mesma linha dos espiráculos.

Genitália masculina. Pigóforo retangular em vista dorsal, com abertura dorso-posterior e ângulos pósterolaterais arredondados (fig. 17); superfície ventral com pontuações e sulcos sinuosos na metade posterior e uma protuberância no meio do terço posterior. Cabeça do parâmero com projeção anterior alongada, como em E. rufomarginata; projeção posterior ausente. Face externa da cabeça do parâmero sem concavidades, com uma esculturação helicoidal (fig. 18). Processo da taça genital em forma de bastão e escavada superiormente (fig. 19). Décimo segmento com margem posterior não projetada, sem sulco e sem pêlos (fig. 17); face posterior truncada, rugosa e com uma leve carena.

Genitália feminina. Gonocoxitos 8 decliventes, pilosos, pontuados e posicionados num plano diferente das demais placas genitais. Bordo posterior do gonocoxito 8 em arco semifechadoe sem recorte (fig. 20). Gonocoxitos 9 fracamente convexos, muito pilosos, trapezoidais e às vezes com carena mediana presente.

Distribuição. Brasil: Pará, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.

Material examinado. “ América do Sul ”, holótipo, Mr. Children’s col. (BMNH). BRASIL, Pará: Gorotire,, 14.XI.1977, D. Posey col. (MPEG) ; Mato Grosso: Chapada dos Guimarães,, 2, 19-23.I.1961, J. & B. Bechynécol. (MPEG);, 09.II.1962, J. & B. Bechynécol. (MPEG); ( FazendaBuriti),, 2, 16.XI.1982, M. Zanuto & W. Overal col. (MPEG) ; Minas Gerais: Lagoa Santa,, 05.VI.1956,, 13.VIII.1956 (comparado como holótipo de A. marginalis), J. Becker col. (MNRJ) ; Goiás: Jataí ( Fazenda Cachoeirinha),, I.1964, Morgante & Silva col. (UFRG) ; Distrito Federal: Planaltina,, 28.III.1978, V. Becker col. (UFRG) .

Diagnose diferencial. Edessa albomarginata e E. marginalis se diferenciam de E. rufomarginata por apresentarem o décimo segmento dos machos com margem posteriornão projetada eo rostro como primeiro segmento tão longo quanto as búculas.

Os machos de E. albomarginata diferenciam-se das demais espécies por apresentarem o bordo dorsal do pigóforo com duas abas que se projetam de cada lado sobre as laterais do décimo segmento, encobrindo os processos do diafragma; projeção anterior da cabeça do parâmero alongada e afilada; processo da taça genital de contorno retangular, com sutura diagonal junto ao ápice, que acompanha uma levereentrância e outra sutura basal sem reentrância.

Edessa marginalis se distingue das outras duas espécies por apresentar o mesosterno sem carena mediana e com uma protuberância entre as coxas anteriores; cabeça do parâmero com projeção posterior ausente e com a face externa com uma esculturação helicoidal; processo da taça genital em forma de bastão, com a face superior escavada.

Os machos de E. rufomarginata podem ser diferenciados de E. albomarginata e E. marginalis por apresentarem projeção anterior da cabeça do parâmero com ápice arredondado, processo da taça genital retangular, achatado lateralmente e fendido medianamente.

Nas fêmeas as principais diferenças estão na forma dos gonocoxitos 8. Edessa albomarginata apresenta o terço posterior dos gonocoxitos 8 deprimido; bordo posterior formando um arco fechado e recortado próximo ao bordo sutural (fig. 16). Edessa marginalis possui gonocoxitos 8 decliventes, como bordo posterior em arco semifechado, sem recorte (fig. 20). Em E. rufomarginata os gonocoxitos 8 não são deprimidos e nem decliventes e o bordo posterior é em arco aberto (fig. 4).

Notas taxonômicas. Com base no exame dos holótipos de Aceratodes albomarginatus e Aceratodes marginalis, constatou-se que são espécies diferentes de E. rufomarginata . Aanálise do holótipo de Aceratodes discolor Dallas, 1851, Br. Guyana, R. Schomburgk col. (BMNH), evidenciou diferenças morfológicas quando comparada a E. rufomarginata . O exame da série de síntipos de Edessa abdominalis Erichson, 1848, 3 e, BritishGuyana, R. Schomburgk col. (ZMHB), e do holótipo de Aceratodes discolor evidenciou pertencerem à mesma espécie. Portanto, A. discolor é retirada da sinonímia de E. rufomarginata e considerada sinônimo júnior de Edessa abdominalis Erichson, 1848 .