Ophiomusium eburneum Lyman, 1869
Figs 17-23
Ophiomusium eburneum Lyman, 1869: 322; 1878a: 108; 1878b: 220; 1883: 244; Koehler, 1914: 24; Clark, 1941: 93.
Ophiomusium eburneum var. elegans Clark, 1902: 243 .
Material Examinado. 291 exemplares: est. 28, 24º41’01”S, 44º18’05”W, 510 m (MHN-BOPH/MB-885, 208 ex.) ; est. 33, 24º52’02”S, 44º34’07”W, 530 m (MHN-BOPH/MB-888, 5 ex.) ; est. 6679, 25º18’87”S, 44º52’51”W, 808 m, 12.I.1998 (MHNBOPH/MB-61, 6 ex.) ; est. 6684, 25º43’90”S, 45º09’50”W, 511 m, 13.I.1998 (MHN-BOPH/MB-73, 45 ex.) ; est. 6693, 26º41’27”S, 46º27’50”W, 430 m, 19.I.1998 (MHN-BOPH/MB-89, 18 ex.) ; est. 6705, 25º59’73”S, 45º37’32”W, 424 m, 21.I.1998 (MHN-BOPH/MB-100, 1 ex.) ; est. 6786, 27º28’70”S, 47º09’66”W, 380 m, 15.III.1998 (MHN-BOPH/MB-148, 8 ex.) .
Descrição. Diâmetro do disco: de 2,0 a 13,0 mm. Placas dorsais e ventrais com aparência granulada (Fig. 20). Escamas dorsais irregulares e elevadas; centrodorsal e primárias arredondadas e levemente distintas. Uma grande escama arredondada a triangular localizada no espaço interradial marginal tocando lateralmente os escudos radiais, bem desenvolvidos, ovais e entumescidos, separados por 3-4 escamas menores, que continuam-se até a primeira placa braquial dorsal (Figs 17 e 19). Região interradial ventral coberta por escamas circulares levemente elevadas e pela placa genital alongada. Escudos orais em forma de gota, afilados proximalmente e arredondados no bordo distal; adorais unidos na porção anterior, levemente alargados na extremidade distal, tocando a primeira placa braquial lateral. De 5-6 papilas orais pequenas e contíguas de cada lado da mandíbula, distais levemente maiores. Uma papila infradental triangular. Fenda bursal pequena e estreita, margeada por papilas diminutas (Figs 18 e 21). Primeira placa braquial dorsal retangular, segunda pentagonal e contígua com a primeira. Posteriores losangulares, não contíguas, diminuindo de tamanho em direção à extremidade do braço (Figs 19 e 20). Primeira e segunda ventrais subpentagonais, afiladas anteriormente, com leves reentrâncias laterais dos poros tentaculares. Posteriores triangulares reduzindo de tamanho em direção à extremidade do braço, onde são inconspícuas (Figs 18 e 21). Placas laterais robustas tocando-se dorsal e ventralmente, exceto no primeiro e segundo segmentos braquiais (Figs 20 e 21). Poros tentaculares presentes apenas no primeiro e segundo segmentos do braço, com uma pequena escama tentacular ovalada (Figs 18 e 21). Nos primeiros 4-5 segmentos, dois espinhos braquiais pequenos, ventral maior (Figs 20 e 21). Segmentos posteriores com três espinhos, os dois superiores menores, podendo apresentar a extremidade curva com dentículos hialinos (Figs 22 e 23).
Comentários. A espécie aqui estudada possui todas as características descritas por LYMAN (1869) para Ophiomusium eburneum . Posteriormente CLARK (1902) considera uma variedade elegans para tal espécie, a qual estaria baseada no número de espinhos braquiais igual a três, uma vez que na descrição original, LYMAN (1869) menciona somente dois espinhos braquiais para a espécie. No entanto, tal variedade não foi adotada pela maioria dos autores, pois LYMAN (1883) registra certas variações da espécie, entre elas a possibilidade de ocorrer três espinhos braquiais. Nos espécimes aqui analisados foram observados dois espinhos nos segmentos braquiais proximais e três nos distais. Este é o primeiro registro de Ophiomusium eburneum para o Brasil. Segundo TOMMASI (1999), duas outras espécies do gênero são registradas no país, O. acuferum e O. anaelisae, as quais diferem com relação ao tamanho do adulto, disposição das placas do disco, tamanho e localização dos espinhos braquiais.
Ocorrência. São Paulo, Paraná e Santa Catarina; em fundos não-consolidados.
Distribuição Batimétrica. Registrada entre 136 e 910 m de profundidade. Os exemplares aqui examinados foram amostrados entre 380 e 810 m.
Distribuição Geográfica. Atlântico Norte: Estados Unidos, Golfo do México, América Central; Atlântico Sul: Brasil (Sudeste e Sul).